Linha 20-Rosa: debate técnico

Imagem Ilustrativa

A Associação dos Moradores dos Jardins (AME Jardins), com apoio da Gazeta de Pinheiros, promoveu um debate técnico para discutir o traçado da futura Linha 20-Rosa do Metrô,  projeto considerado estratégico para a mobilidade da Região Metropolitana de São Paulo.

Realizado na Associação Comercial de São Paulo – Distrital Pinheiros, o encontro reuniu especialistas em engenharia, urbanismo e direito e trouxe à tona diferenças relevantes entre o traçado original e a alternativa atualmente prevista, além de possíveis impactos no desenvolvimento urbano de bairros como Pinheiros e Vila Madalena.

Com projeção de transportar cerca de 1,29 milhão de passageiros por dia até 2040, a Linha 20 é vista como uma das mais importantes infraestruturas de mobilidade da Região Metropolitana nas próximas décadas. Por isso, os participantes defenderam que decisões sobre seu percurso devem ser baseadas não apenas em custos imediatos, mas também em critérios de demanda, integração urbana e impactos de longo prazo.

Discussão ocorre enquanto projeto ainda pode ser aprimorado

Na abertura, o representante da AME Jardins, afirmou que a entidade apoia a expansão do metrô, mas defende um traçado mais conectado aos principais polos de emprego, cultura e lazer da cidade.

Segundo ele, o debate acontece em um momento oportuno, quando ainda há tempo para aperfeiçoar o projeto com base em critérios técnicos e urbanísticos.

Com cerca de 18 anos de atuação e aproximadamente 5 mil associados, a associação destaca que priorizar áreas de maior fluxo, como o eixo da Avenida Faria Lima, pode garantir maior eficiência ao sistema.

O que muda entre os dois traçados R e B1:

A comparação técnica entre as alternativas R (traçado original) e B1 (proposta atual) esteve no centro do debate e evidenciou que a escolha do percurso pode redefinir o alcance social da futura Linha 20-Rosa.

Traçado Original (R)

  • Percorreria o eixo Faria Lima / Rebouças / Pedroso de Morais.

  • Preveria novas estações em regiões com alta concentração de empregos.

  • Ofereceria melhor integração com corredores de ônibus.

  • Teria maior potencial de demanda.

Traçado Atual (B1)

  • Desvia para a região da Rua Teodoro Sampaio.

  • Prevê integração com a estação Fradique Coutinho.

  • Deixa uma lacuna de atendimento no eixo corporativo da Faria Lima.

  • Oferece menor potencial de demanda.

Estudos apresentados indicam que o trajeto original poderia atender 44.522 postos de trabalho, contra 28.231 do modelo atual, uma diferença de 16.292 empregos, ou 57,7% a mais.

O desenho inicial também ampliaria o acesso a instituições de ensino, com aumento estimado de 11,8% nas matrículas atendidas.

Para o ex-presidente do Metrô e ex-secretário de Transportes, Sérgio Avelleda, desafios de engenharia não deveriam inviabilizar a alternativa com maior impacto social, destacando a capacidade técnica já demonstrada pelo sistema metroviário paulista.

Infográfico

Integração urbana entra no centro da discussão

O vice-presidente do Instituto de Engenharia, Ivan Whately, utilizou uma analogia direta para ilustrar o impacto da mudança:

“Construir a Linha 20 sem passar pela Faria Lima seria como criar uma linha na Avenida Paulista sem estações na própria avenida.”

Ele também alertou que o novo traçado pode gerar distâncias próximas de 2 quilômetros entre estações, acima do padrão médio de cerca de 1 quilômetro adotado na cidade, fator que tende a reduzir a acessibilidade do sistema.

Outro ponto levantado foi a possível perda de integração com corredores estruturais de ônibus, considerada essencial em projetos modernos de mobilidade.

Especialista questiona transparência e critérios da mudança

A advogada e ex-procuradora do município Dra. Liliana Marçal trouxe uma perspectiva crítica sobre o processo de decisão relacionado ao traçado.

Segundo ela, há dificuldade de acesso a estudos detalhados de demanda que sustentariam a alteração do percurso, já que os materiais disponibilizados pelo metrô priorizam informações ambientais mais gerais.

A advogada chamou ainda atenção para a revisão do Plano Diretor Estratégico de São Paulo. Entre as alterações urbanísticas apontadas estão:

  • ampliação do raio de influência das estações de 600 para 700 metros.

  • criação das Zonas de Estruturação Urbana (ZEU).

  • aumento do coeficiente construtivo.

  • possibilidade de verticalização sem limite de altura, desde que respeitado o coeficiente construtivo da zona.

Segundo Marçal, ao direcionar o metrô para áreas predominantemente residenciais e de ruas mais estreitas, como partes de Pinheiros e Vila Madalena, o novo trajeto pode estimular transformações urbanas aceleradas.

Projeto ainda pode ser revisado

Especialistas lembraram que o traçado ainda pode ser alterado antes da emissão da Licença de Instalação, etapa posterior à licitação, mantendo aberta uma janela para ajustes técnicos.

A AME Jardins pretende solicitar relatórios mais detalhados e questionar os critérios utilizados na análise das alternativas locacionais.

Vista de Pinheiros

Debate reforça papel da sociedade em decisões estruturais

Mais do que discutir um percurso, o encontro evidenciou como escolhas de mobilidade influenciam diretamente o crescimento urbano, a distribuição de empregos e a qualidade de vida ao longo do tempo.

Projetos dessa escala, avaliaram os participantes, exigem transparência, diálogo público e análise cuidadosa de seus efeitos sobre bairros consolidados como Pinheiros.

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