O Instituto Tomie Ohtake está com duas novas exposições em cartaz desde sexta-feira, 28 de agosto, reunindo trabalhos de Tatiana Blass e Sheila Hicks em mostras que colocam matéria, espaço e processo artístico no centro da experiência.
Tatiana Blass – Contrarregra apresenta cerca de 50 trabalhos produzidos entre 2008 e 2026 e marca a primeira exposição institucional da artista em São Paulo.
Já Sheila Hicks – O que que é isso? reúne aproximadamente 30 obras produzidas ao longo de seis décadas e aproxima o público da trajetória de uma das principais referências internacionais das práticas têxteis na arte contemporânea.
As duas mostras permanecem em cartaz até 25 de outubro de 2026 e têm entrada gratuita.
Tatiana Blass
ContrarregraCerca de 50 obras entre pinturas, esculturas, instalações, vídeos e trabalhos inéditos produzidos especialmente para a mostra.
Sheila Hicks
O que que é isso?Cerca de 30 obras atravessam mais de seis décadas de uma pesquisa que transforma o fio em matéria, estrutura, volume e pensamento.
Tatiana Blass transforma bastidores em parte da exposição
Com curadoria de Ana Roman e Lahayda Mamani Poma, Contrarregra é apresentada pelo Instituto Tomie Ohtake como a primeira exposição institucional de Tatiana Blass em São Paulo.
A mostra reúne cerca de 50 trabalhos realizados entre 2008 e 2026, incluindo pinturas, esculturas, instalações e vídeos, além de um núcleo de obras inéditas produzido especialmente para o Instituto.
O percurso oferece um panorama da investigação da artista sobre matéria, espaço, luz e tempo, aproximando trabalhos de diferentes momentos de sua trajetória.
Uma exposição construída entre pintura, escultura, instalação, vídeo e transformação da matéria
O título da mostra faz referência ao contrarregra, profissional responsável pelos bastidores e pelas condições necessárias para que uma cena aconteça sem ocupar o centro do palco.
Essa ideia não aparece apenas no nome. A própria expografia transforma as salas em uma espécie de espaço de encenação e incorpora dois palcos ao percurso do visitante.
Os elementos não funcionam apenas como cenografia: ajudam a deslocar a atenção da obra final para os processos, estruturas e movimentos que tornam a imagem possível.
Entre os trabalhos presentes estão novas pinturas da série Contraluz, realizadas sobre vidro, além de obras das séries Metade da fala no chão, Quebra-quebra, Nó, Noite-dia e Contrarregra.
Em vários desses trabalhos, materiais como vidro, cera, bronze e cerâmica aparecem sujeitos à ação da luz, do calor, da gravidade e da própria presença do visitante.
A exposição apresenta ainda trabalhos resultantes do encontro entre Tatiana Blass e o músico Kiko Dinucci, em um diálogo que começou com pinturas da artista, passou pela capa de um novo álbum e chegou a obras desenvolvidas especialmente para a mostra.
Sheila Hicks transforma o fio em arquitetura
A segunda exposição que chega ao Instituto Tomie Ohtake é dedicada à artista norte-americana Sheila Hicks, nascida em Nebraska, em 1934, e reconhecida internacionalmente por ampliar as possibilidades das práticas têxteis na arte contemporânea.
Uma pesquisa que atravessa pintura, escultura, design e artes têxteis
Com curadoria de Ana Roman, Luis Pérez-Oramas e Paulo Miyada, a exposição ocupa duas salas do Instituto e combina trabalhos históricos, obras recentes e uma instalação inédita concebida especialmente para a mostra.
O fio aparece como matéria, estrutura e forma de pensamento. Em algumas obras, mantém a escala íntima de pequenas tecelagens. Em outras, ganha volume suficiente para dialogar diretamente com a arquitetura e com o corpo de quem percorre a exposição.
O conjunto inclui ainda fotografias realizadas pela própria artista e pelo fotógrafo chileno Sergio Larrain durante viagens pela América Latina no final dos anos 1950.
Também integra a mostra um núcleo de têxteis andinos, referências importantes para a formação e o desenvolvimento da pesquisa de Hicks.
Por que “O que que é isso?”
O nome da exposição recupera uma pergunta feita à jovem Sheila Hicks durante sua formação na Yale University.
Ao encontrar a estudante experimentando um tear improvisado, seu professor Josef Albers perguntou o que ela estava fazendo.
A pergunta tornou-se uma espécie de síntese da trajetória da artista: uma produção baseada na experimentação, na curiosidade pelos materiais e na recusa de classificações rígidas.
Duas exposições, duas maneiras de transformar o espaço
As duas artistas partem de materiais diferentes, mas aproximam obra, espaço e experiência do visitante
As exposições não formam uma mostra única, mas a abertura simultânea cria uma oportunidade de observar dois modos distintos de pensar a relação entre matéria e espaço.
Em Contrarregra, a transformação acontece muitas vezes diante da instabilidade dos materiais e da lógica teatral da montagem. Em O que que é isso?, fibras e fios deixam a superfície para ganhar corpo e ocupar a arquitetura.
Sheila Hicks também ganha exposição na Nara Roesler
Neste sábado, 29 de agosto, a Nara Roesler abriu Autobiografia de um fio, também dedicada a Sheila Hicks e com curadoria de Luis Pérez-Oramas.
A mostra reúne mais de vinte trabalhos recentes e inéditos, produzidos desde 2017. Segundo o Instituto Tomie Ohtake, as duas exposições oferecem perspectivas complementares sobre a produção da artista e serão acompanhadas por uma publicação conjunta.
Visita em Libras integra a programação de Sheila Hicks
Em 5 de setembro, das 15h às 17h, o programa Sábado surdo no Tomie promove uma visita em Libras mediada pela equipe educativa do Instituto.
A atividade tem entrada livre e gratuita, sem inscrição prévia.