Galeria Estação abre “Uma Língua Nova” com 60 obras de sete artistas
A Galeria Estação, em Pinheiros, abre nesta terça-feira (25) a exposição coletiva “Uma Língua Nova”, que reúne cerca de 60 obras de sete artistas brasileiros e europeus e propõe ao público uma reflexão sobre diferentes formas de criação, percepção e construção de linguagem.
Com curadoria de José Augusto Ribeiro, a mostra reúne trabalhos de Arnold Schmidt, Aurelino dos Santos, Clovis Aparecido dos Santos, Enio Sérgio, Esther Morgannah, Josef Hofer e Ranchinho.
As trajetórias desses artistas foram historicamente relacionadas ao campo da saúde mental e da deficiência intelectual. A proposta da exposição, porém, é evitar que suas obras sejam compreendidas apenas a partir dessas condições.
Em “Uma Língua Nova”, o foco está na produção artística, na inventividade e nas linguagens particulares desenvolvidas por cada artista.
Sete artistas, diferentes maneiras de construir imagens
Não existe uma única linguagem capaz de reunir todos os trabalhos apresentados em “Uma Língua Nova”. A diversidade é, justamente, um dos elementos centrais da exposição.
Pinturas, desenhos e esculturas colocam lado a lado artistas de diferentes origens, gerações e trajetórias. Alguns tiveram experiências relacionadas à institucionalização psiquiátrica, enquanto outros desenvolveram suas produções em contextos familiares ou em contato com ateliês, museus e centros de pesquisa.
A aproximação entre esses artistas não procura criar uma categoria comum. O interesse está em perceber como cada um desenvolveu formas próprias de organizar, imaginar e representar o mundo.
Arte antes do diagnóstico
Esse é um dos pontos centrais da proposta curatorial.
A exposição dialoga com uma tradição que reconheceu a produção artística de pessoas ligadas ao universo da saúde mental como expressão legítima, mas procura se afastar de interpretações que reduzam a obra à condição clínica ou à biografia de seu autor.
Antes de perguntar sobre o diagnóstico de quem produziu determinada obra, a exposição convida o visitante a observar o desenho, a pintura, a escultura, as formas, as repetições, as cores e os sistemas visuais criados por cada artista.
De onde vem “Uma Língua Nova”
O nome da mostra foi inspirado no conto “No Quadrado de Joana”, da escritora Maura Lopes Cançado, cuja trajetória ocupa lugar importante nas discussões sobre literatura, sofrimento psíquico e experiência manicomial no Brasil.
A expressão ajuda a traduzir a ideia de artistas que constroem sistemas próprios de expressão e representação, sem necessariamente obedecer aos códigos estabelecidos pela história da arte, pela medicina ou pelas convenções culturais.
Na seleção realizada por José Augusto Ribeiro, são justamente as diferenças entre os sete artistas que impedem uma leitura homogênea do conjunto.
Um diálogo com o legado de Nise da Silveira
A exposição também se aproxima de um capítulo importante da história da psiquiatria brasileira e do trabalho de pesquisadores que defenderam a criação artística como uma forma legítima de expressão.
Entre os principais nomes dessa história está a psiquiatra
Nise da Silveira, reconhecida por se opor a práticas psiquiátricas violentas utilizadas em sua época e por desenvolver abordagens baseadas em atividades expressivas e relações afetivas.
Seu legado está diretamente relacionado ao Museu de Imagens do Inconsciente, no Rio de Janeiro, dedicado à preservação, ao estudo e à divulgação de um vasto conjunto de obras e imagens.
Abertura terá conversa com curador e convidados
O vernissage começa às 18h desta terça-feira (25). Às 20h, a programação prevê uma conversa com o curador José Augusto Ribeiro, o psiquiatra José Gallucci Neto e Eurípedes Junior.
Músico, pesquisador e museólogo, Eurípedes Junior teve sua trajetória ligada ao Museu de Imagens do Inconsciente e ao trabalho desenvolvido por Nise da Silveira.
A conversa amplia o debate proposto pela exposição ao aproximar arte, pesquisa, saúde mental e diferentes formas de interpretar a produção artística.
Galeria Estação fica em Pinheiros
Inaugurada no final de 2004, a Galeria Estação construiu sua trajetória com especial atenção a artistas e produções que, por diferentes motivos, permaneceram historicamente fora dos circuitos mais tradicionais da arte.
A galeria está instalada na Rua Ferreira de Araújo, 625, em Pinheiros, próxima ao eixo da Faria Lima e à rede de transporte público da região.
Com “Uma Língua Nova”, o espaço volta a colocar em discussão justamente os limites que costumam separar aquilo que está dentro ou fora dos circuitos estabelecidos.
Mais do que reunir artistas por experiências aparentemente semelhantes, a exposição propõe observar o que acontece quando cada trabalho pode ser visto, antes de qualquer classificação, como arte.
📌 Serviço
Confira as informações para visitar “Uma Língua Nova” em Pinheiros.
Informações consultadas para a produção desta matéria.
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