O comércio varejista brasileiro deve encerrar 2026 com crescimento de 2,1% nas vendas, segundo projeção inédita do Instituto de Economia Gastão Vidigal, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). O levantamento também revela uma mudança importante no calendário: a Black Friday vem antecipando parte das compras antes concentradas em dezembro.
A projeção abrange o chamado varejo restrito, categoria que reúne segmentos como supermercados, vestuário, móveis e eletrodomésticos, mas exclui veículos e materiais de construção.
Apesar da expectativa de crescimento no acumulado do ano, o levantamento aponta que o setor vem passando por uma fase de desaceleração, pressionado principalmente pelos juros elevados e pelo endividamento das famílias.
Esse cenário tende a afetar com maior intensidade produtos normalmente comprados a prazo, como móveis e eletrodomésticos.
O modelo da ACSP, porém, indica uma melhora gradual a partir do terceiro trimestre, com expectativa de desempenho mais favorável especialmente em setembro e outubro.
🛍️ Black Friday muda o calendário das compras
Um dos pontos mais relevantes do estudo aparece quando se compara o comportamento das vendas de novembro e dezembro ao longo das últimas duas décadas.
Tradicionalmente, dezembro registrava um salto expressivo nas vendas por causa do Natal. Essa diferença, porém, vem diminuindo de forma consistente.
de mudança
Na prática, novembro passou a disputar uma parcela cada vez maior do orçamento de fim de ano dos consumidores.
O estudo destaca que projeções de vendas para o Natal que não levem essa mudança em consideração podem acabar superestimando o desempenho de dezembro.
📍 O que essa mudança pode significar para Pinheiros?
Embora a pesquisa da ACSP tenha abrangência nacional, a mudança no comportamento de consumo oferece um sinal relevante para regiões com forte atividade comercial, como Pinheiros.
Lojas de rua, pequenos negócios e estabelecimentos independentes podem precisar antecipar campanhas, estoques e estratégias de comunicação, em vez de concentrar grande parte dos esforços apenas nas semanas que antecedem o Natal.
Isso não significa que dezembro perdeu importância. O que mudou foi a distribuição das compras ao longo do fim do ano, com novembro assumindo um papel cada vez mais estratégico.
📈 Recuperação pode ganhar força no terceiro trimestre
A projeção da ACSP indica que a recuperação das vendas não deve ocorrer de maneira uniforme ao longo do ano.
Depois de meses de ritmo mais moderado, o estudo aponta uma perspectiva de melhora a partir do terceiro trimestre, principalmente durante setembro e outubro.
Ainda assim, juros elevados permanecem como um dos principais obstáculos para os segmentos mais dependentes de crédito e parcelamento.
🤖 Estudo combina oito modelos de previsão
O estudo, assinado pelo economista Ulisses Ruiz de Gamboa, utilizou oito métodos estatísticos diferentes para estimar o comportamento do varejo.
Em vez de selecionar apenas um deles, o Instituto de Economia Gastão Vidigal adotou como resultado principal a mediana das oito projeções.
Segundo a ACSP, essa combinação apresentou desempenho melhor nos testes realizados com dados reais dos últimos anos do que qualquer modelo utilizado isoladamente. Ferramentas de inteligência artificial também foram utilizadas na etapa de programação da análise.
🔎 Um varejo com um novo calendário
Mais do que uma previsão sobre crescimento ou queda das vendas, o levantamento ajuda a revelar uma transformação estrutural no comportamento dos consumidores.
A Black Friday deixou de ser apenas uma ação promocional concentrada em novembro e passou a ocupar uma posição relevante no planejamento de compras do fim do ano.
Para os comerciantes, a mudança sugere que novembro e dezembro precisam ser observados cada vez mais como uma única temporada comercial, com estratégias de vendas, estoque e comunicação iniciadas com antecedência.
- Instituto de Economia Gastão Vidigal / Associação Comercial de São Paulo (IEGV/ACSP) — projeção do varejo brasileiro para 2026, divulgada em 28 de agosto de 2026.
- Associação Comercial de São Paulo
- Diário do Comércio — Varejo deve crescer 2,1% em 2026
