Exposição gratuita no Centro Cultural Fiesp apresenta esculturas, fotografias e documentos que revelam como a imagem indígena atravessou a trajetória de um dos principais nomes do modernismo brasileiro
A partir de 11 de junho, o Centro Cultural Fiesp recebe a exposição “Victor Brecheret: A Imagem Indígena como Símbolo de Brasilidade“, mostra inédita em São Paulo que propõe um novo olhar sobre a trajetória de um dos artistas mais importantes da arte brasileira. A exposição reúne esculturas, desenhos, fotografias e documentos que ajudam a compreender como a figura indígena influenciou diferentes momentos da produção do escultor.
A iniciativa destaca especialmente a fase final da carreira de Brecheret, marcada pela aproximação com referências ligadas às culturas indígenas e pela busca de uma linguagem artística capaz de representar a identidade brasileira.
A influência indígena na construção da brasilidade
Um dos eixos centrais da mostra é a chamada "fase indígena" do escultor. Segundo a curadoria, esse período se desenvolveu paralelamente às expedições realizadas ao Brasil Central durante a década de 1940, quando diferentes culturas indígenas passaram a ganhar maior visibilidade no país.
As notícias divulgadas pelo rádio, pela imprensa e pelos cinejornais ampliaram o olhar de Brecheret sobre o Brasil, inspirando novas possibilidades criativas. Os desenhos produzidos nesse período registram parte desse processo de transformação artística e ajudam a compreender o caminho percorrido pelo escultor até a consolidação de uma linguagem considerada autenticamente brasileira e, ao mesmo tempo, universal.
Acalanto de Bartira está entre os destaques
Entre as obras apresentadas na exposição está “Acalanto de Bartira”, também conhecida como “Mulher Deitada na Rede”, considerada uma das esculturas mais emblemáticas de Victor Brecheret. A peça reúne elementos centrais de sua produção artística e sintetiza sua busca por uma representação mais sensível e humanizada da brasilidade.
Segundo os organizadores, a obra representa um dos pontos altos da exposição e ajuda a compreender a evolução da linguagem escultórica desenvolvida pelo artista ao longo de sua carreira.
Reflexões sobre identidade e memória
Com curadoria de Maria Izabel Branco Ribeiro, em parceria com o Instituto Victor Brecheret, a mostra vai além da apresentação de esculturas e documentos históricos. A proposta é estimular reflexões contemporâneas sobre identidade, memória e os símbolos que ajudaram a construir a ideia de brasilidade ao longo do século XX.
Para Fernando Brecheret, diretor do Instituto Victor Brecheret, a exposição convida o público a revisitar a obra do escultor sob uma perspectiva mais humana e contemporânea, compreendendo como a imagem indígena atravessou sua produção artística e sua visão sobre a construção da identidade brasileira.
Quinzenalmente, o escritor, músico e arquiteto Toni Grado assina a coluna Caderno de Cultura no Portal Pinheiros, com reflexões sobre arte, cidade, memória, comportamento e vida cultura.

