Quem passa pela Estação Fradique Coutinho, em Pinheiros, encontra mais do que plataformas, escadas e corredores. Diferentes espaços da Linha 4-Amarela foram transformados em um percurso pela vida, pelo pensamento e pelas obras de Lina Bo Bardi, um dos nomes mais importantes da arquitetura brasileira.
Instalada na estação desde 11 de agosto, a exposição “Projeto Centenários – Lina Bo Bardi” aproxima o público da arquiteta responsável por projetos que se tornaram referências de São Paulo e da arquitetura moderna, entre eles o MASP, a Casa de Vidro e o Sesc Pompeia.
Uma exposição espalhada pela estação
A dimensão da mostra aparece nos números. Segundo o Instituto Motiva, são 98 peças gráficas e tridimensionais distribuídas por diferentes pontos da Fradique Coutinho. Painéis, placas, fotografias e outras intervenções transformam o deslocamento dentro da estação em uma experiência cultural.
A exposição conta ainda com duas maquetes físicas, pensadas para ajudar o visitante a compreender aspectos espaciais, estéticos e sociais dos projetos da arquiteta.
De Roma ao Brasil
Achillina Bo Bardi nasceu em Roma, em 1914. Formou-se em arquitetura e chegou ao Brasil em 1946. Naturalizada brasileira, construiu no país grande parte de uma trajetória marcada pela relação entre arquitetura, cultura popular, convivência e espaço público.
A própria exposição dedica parte de seu percurso à biografia da arquiteta, reunindo fotografias e acontecimentos que ajudam a compreender como sua atuação ultrapassou o desenho de edifícios e alcançou também áreas como design, cenografia, museografia e preservação do patrimônio.
Arquitetura como espaço de convivência
Um dos fios condutores da mostra é justamente a maneira como Lina compreendia a arquitetura. Seus projetos buscavam ultrapassar a função puramente formal do edifício, criando espaços capazes de estimular encontro, uso coletivo e participação das pessoas.
Essa concepção aparece diretamente nas frases da arquiteta espalhadas pela estação e ajuda a entender por que obras tão diferentes entre si, como o MASP, a Casa de Vidro e o Sesc Pompeia, continuam sendo discutidas décadas depois de sua construção.
— Lina Bo Bardi
Casa de Vidro, MASP e Sesc Pompeia
Algumas das obras mais conhecidas de Lina aparecem ao longo do percurso. A Casa de Vidro, construída em São Paulo e residência da arquiteta, surge em grandes painéis. O MASP, na Avenida Paulista, aparece como uma das principais referências de sua produção, especialmente pela solução estrutural que criou o conhecido vão livre.
Outro destaque é o Sesc Pompeia, complexo cultural desenvolvido a partir da recuperação de uma antiga fábrica. O projeto tornou-se um dos exemplos mais conhecidos da maneira como Lina articulava arquitetura, uso coletivo e vida urbana.
O percurso permite perceber como Lina Bo Bardi relacionava arquitetura, cultura e vida cotidiana. A exposição não se limita aos projetos mais conhecidos e apresenta também momentos de sua trajetória pessoal e diferentes áreas de atuação.
Cultura no caminho de quem passa por Pinheiros
Lina Bo Bardi é a nona personalidade homenageada pelo Projeto Centenários, iniciativa do Instituto Motiva que leva exposições para estações e busca aproximar arte, educação, memória e mobilidade urbana.
Antes dela, o projeto já apresentou nomes como Grande Otelo, Clementina de Jesus, Luiz Gonzaga, Clarice Lispector, Candido Portinari, Tomie Ohtake, Heitor Villa-Lobos e Jorge Amado em diferentes estações.
A escolha da Fradique Coutinho cria uma relação particularmente interessante com Pinheiros: quem utiliza a estação pode encontrar a exposição durante um deslocamento comum pelo bairro, sem que a experiência cultural esteja isolada do cotidiano da cidade.
Acessibilidade
Serviço
Exposição: Projeto Centenários – Lina Bo Bardi
Local: Estação Fradique Coutinho — Linha 4-Amarela
Desde: 11 de agosto de 2026
Horário: durante o horário de funcionamento da estação
Como chegar: Estação Fradique Coutinho no Google Maps
Consulte as informações oficiais da exposição
